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Recebi de Luísa Nogueira Mortensen, minha estimada leitora, uma carta com estas palavras:
“Já li os seus livros sobre Santos Dumont, o Aleijadinho e o intitulado Vida e poesia de Olavo Bilac. Estou lendo agora outra obra de sua autoria, o Lutero e a Igreja do pecado, cuja sétima edição acaba de ser lançada pela Editora Novo Século. Diga-me uma coisa, o senhor seria capaz de escrever uma biografia do Lula?”
Cara Luísa, embora eu não seja do PT e eleitor do nosso presidente da República, afirmo que sim. E por uma simples razão: possuo, a respeito do Lula, um idôneo material informativo, colecionado ao longo de mais de vinte e cinco anos. Aliás, o meu arquivo, muito rico, me permite discorrer sobre centenas de assuntos. Orgulho-me de sempre agir como um escritor bem organizado. E sigo este conselho da Bíblia:
“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem”.
(Epístola de São Paulo aos coríntios, capítulo 14, versículo 40)
Jonathan Swift (1667-1745), o satírico autor das Viagens de Guliver, obra na qual escarnece da sociedade inglesa, estava certo quando garantiu que a ordem governa o mundo e que quem causa a confusão é o demônio...
Luísa Nogueira Mortensen indaga, na sua carta, se posso lhe dar algumas informações curiosas sobre o Lula. Graças ao meu arquivo, onde há ordem e até capricho, extrai dele os dados aqui expostos.
A mãe de lula era conhecida como dona Lindu. O seu pai, Aristides Inácio da Silva, foi carregador nas docas de Santos.
No mês de dezembro de 1952, o menino Lula, nascido em 27 de outubro de 1945, enfrentou heroicamente, com a mãe e os irmãos, uma viagem de treze dias num caminhão pau-de-arara, desde Garanhuns, em Pernambuco, até a cidade de Santos. Nesta eles se decepcionaram, pois Aristides havia constituído nova família com uma prima.
Lula trabalhou como ambulante e depois conseguiu emprego numa tinturaria. Ali o dono, um nipônico, tentou ensiná-lo a falar japonês. Em seguida o rapaz tornou-se office-boy. Decorrido pouco tempo, ingressou numa fábrica de parafusos. Permaneceu nela durante quatro anos, mas já fizera o curso primário, até a 5ª série.
Em 1964, nas Industrias Villares de São Bernardo do Campo, ele trabalhava doze horas por dia, como torneiro-mecânico. Perdeu nessa época, numa prensa, o dedo mínimo de sua mão esquerda.
Após isto começou a participar do movimento sindical. No ano de 1975, virou presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, e em 1980, ao lado de alguns políticos e intelectuais, fundou o Partido dos Trabalhadores.
O resto da sua biografia todos conhecem. Apresentarei agora, entretanto, alguns fatos que não foram divulgados.
Na adolescência, Lula recebeu o apelido de Taturana, porque se rebolava ao dançar nos bailes populares. Sem dinheiro, tinha o hábito de catar pontas de cigarros no chão, já que não podia comprar o seu preferido, o Continental. Frei Chico, irmão mais velho de Lula, certa vez lhe fez esta ameaça:
-Se eu pegar você fumando, vou aplicar-lhe uma surra.
Viúvo, Lula conheceu Marisa, a sua atual esposa, no Sindicato dos Metalúrgicos. Ligava para ela todos os dias e irritou-se ao saber que Marisa saía com outro homem. Então ele intimou:
-Galega, você vai ter que decidir, ou você fica comigo ou fica com esse cara.
A primeira mulher de Lula se chamava Maria de Lurdes. Casando-se pela segunda vez, o ex-operário teve quatro filhos com a discreta Marisa, que devido a eficientes operações plásticas, remoçou, e por causa da sua melhor situação econômica, está agora mais elegante.
Gostou das minhas corretíssimas informações, prezada Luísa Nogueira Mortensen?
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Fernando Jorge é membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e autor do livro “Lutero e a Igreja do pecado”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora Novo Século.
criado por Fernando Jorge
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