Artigos de Fernando Jorge

Artigos do escritor Fernando Jorge. Fernando Jorge é escritor, membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e autor de, entre outras obras, de “O Aleijadinho”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora

Artigos de Fernando Jorge

Artigos do escritor Fernando Jorge. Fernando Jorge é escritor, membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e autor de, entre outras obras, de “O Aleijadinho”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora
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Arquivo de: Maio 2008

28.05.08

Entrevista para JBA por Erick Vizoki

ENTREVISTA – Maio/2008

Fernando Jorge


Lutero: o polêmico retrato do reformador alemão


Biografia do fundador do Protestantismo, de autoria de Fernando Jorge, tem sua sétima edição esgotada em apenas quatro meses

Erick Vizoki
O jornalista e escritor Fernando Jorge, 78 anos completados no último 1º de maio, é um colecionador de êxitos. Autor de diversos livros, vários deles premiados, Fernando Jorge mostra predileção assídua por biografias, sempre rigorosamente detalhadas, recheadas de documentações e relatos fiéis. O escritor é um pesquisador compulsivo o obcecado pela transparência dos fatos que cercam a vida de seus biografados, sendo suas obras não raro consideradas definitivas. Entre elas, “O Aleijadinho – Sua Vida, Sua Obra, Sua Época, Seu Gênio”, “Vida e Poesia de Olavo Bilac”, “Santos Dumont – As Lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont”, este último aclamado internacionalmente e que inspirou uma produção em Hollywood sobre a vida do Pai da Aviação. Recentemente, publicou a primeira edição de “Geisel – O Presidente da Abertura”, biografia do penúltimo presidente brasileiro do regime militar instalado no País, após um golpe de Estado em 1964, e que foi determinante para a redemocratização do Brasil.
Um de seus livros mais polêmicos, “Lutero e a Igreja do Pecado” chegou à 7ª edição em outubro de 2007, esgotando-se rapidamente. Nesta biografia abrangente, ricamente detalhada e documentada, Fernando Jorge aborda aspectos até então desconhecidos de Martinho Lutero, ex-monge agostiniano, que voltou-se contra as práticas da Igreja Católica da Idade Média e fundou o Protestantismo. Em entrevista, o jornalista nos conta como foi o árduo trabalho de pesquisa, que durou sete anos, suas teorias sobre o reformador alemão, sua visão sobre a importância histórica do ex-monge e sua relação com o personagem que revolucionou a religião ocidental.


A 7ª edição de “Lutero e a Igreja do Pecado”, impressa em outubro de 2007, esgotou-se rapidamente e já foi reimpressa em março deste ano. O senhor atribui este sucesso à própria importância do reformador alemão na História, ou ao enfoque, nesta biografia, sobre sua personalidade atormentada?
Fernando Jorge
- Atribuo este sucesso à própria importância histórica e religiosa de Lutero, e ao enfoque com o qual ele foi avaliado por mim, que é bastante original, modéstia à parte.

A pesquisa minuciosa e o rigor de informações são características proeminentes em sua obra como biógrafo e pesquisador. A certa altura, em seu livro sobre Lutero, o senhor ressalta que alguns detalhes apresentados na obra foram omitidos por outros biógrafos e historiadores, mas o senhor, ao primar pela isenção jornalística, fez questão de ressaltar. Martinho Lutero, em sua opinião, foi um homem polêmico, cuja biografia pode ser um vespeiro nas mãos de um jornalista?
Lutero foi obrigado a tornar-se polêmico, devido ao simples fato de ter se insurgido contra a Igreja Católica. O sectarismo fez vários detalhes de sua existência serem omitidos pelos seus biógrafos. Detalhes de grande valor, do ponto de vista psicológico, histórico e religioso. A vida de Lutero, na minha opinião, sempre será um vespeiro nas mãos daqueles que a evocam.

Além da vida de Lutero, o senhor nos apresenta um panorama fiel da Igreja Católica do século XVI. A tese central de seu livro associa a fundação do Protestantismo ao ódio que o ex-monge agostiniano nutria pelo demônio e a relação deste, segundo ele, com a Igreja daquela época. Que tipos de comentários o senhor ouviu, ou recebeu, tanto por parte de católicos como de protestantes e evangélicos?
Da parte dos católicos - e eu sou um escritor católico - ouvi comentários deste tipo: o senhor não devia ter descrito, com tantas minúcias, os erros da nossa Igreja naquela época, pois tais erros precisam ser esquecidos. Urubu é que gosta de carniça. Eu respondi: mas até hoje a Igreja Católica, por intermédio de um papa, não admitia o seu voraz mercantilismo, imperante no tempo de Leão X. Ela não mostrou arrependimento, pelo motivo de ter autorizado a venda das indulgências de maneira indiscriminada, ou melhor, de maneira imoral. E quanto aos protestantes e evangélicos, quase sempre elogiaram o “Lutero e a Igreja do pecado”, porém para muitos o livro constituiu uma enorme surpresa, por causa da obsessão, que descrevo, do reformador pelo diabo.

Entregar-se à tarefa de realizar uma biografia tão profundamente detalhada requer um grande compromisso com a acuidade jornalística e com a transparência nos fatos que envolvem a vida do biografado. Sabemos que não é tarefa fácil, mas como foi o caso de Martinho Lutero, em particular, que o senhor nos mostra ser uma figura tão complexa e contraditória em diversos momentos?
Pesquisei durante sete anos, com o firme objetivo de narrar a vida de Lutero, porque descobri que os seus biógrafos relegaram a último plano a obsessão dele pelo Capeta. Era uma obsessão tremenda, avassaladora. Logo concluí: está explicada a fúria de Lutero contra a Igreja Católica, à qual ele pertencia como monge agostiniano. Martinho passou a ver nela a Igreja de Satanás!

Em outra biografia de sua autoria, “As Lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont”, o senhor afirmou, em alguns momentos do livro, ter se envolvido bastante com o biografado, como um ator se envolve com seu personagem. Foi assim também com Lutero?
Sim, envolvi-me muito com Lutero, e a tal ponto que sentia a sua presença física. Quando escrevo, sinto-me mediunizado. Aliás, o Chico Xavier se referiu à minha mediunidade, no seu livro “Parnaso de além túmulo”. Eu acredito, todos nós, seres humanos, somos espíritos materializados. Milhares e milhares de espíritos materializados, quantidade que para Deus deve ser urna coisa mínima, um montinho de areia.

O senhor anunciou, no ano passado, que Hollywood pretende filmar a vida de Santos Dumont com base em seu livro, e que o contrato já foi até assinado. O senhor acha que o filme “Lutero” (Luther), de 2003, roteirizado por Bart Gavigan e Camille Thomasson, foi tão fiel à vida do reformador quanto o filme norte-americano sobre Santos Dumont deverá ser?
O filme alemão sobre Lutero é omisso, pesado, obscuro, cansativo, lacunoso, mal feito. Espero que o filme baseado na 5ª edição da minha biografia de Santos Dumont, produzido em Hollywood, e cujo lançamento talvez ocorra em 2009, não apresente estes numerosos defeitos.

13.05.08

Jesus está derramando lágrimas de sangue

Lágrimas de sangue escorrem pelo rosto e pelas vestes de estátua de Jesus Cristo, na Igreja Matriz do município de Macatuba, localizado a 320 quilômetros da capital de São Paulo. O padre José Raimundo de Carvalho, após ver a estátua, chamou o farmacêutico José Henrique Soares, de trinta e sete anos, para analisar o líquido, e feito o exame, com a ajuda de um pouco de água oxigenada, o farmacêutico logo concluiu:
-É sangue mesmo!
As opiniões dos moradores de Macatuba são variadas. Alguns acreditam que se trata de um milagre, outros, de apenas uma fraude, e ainda outros, de um fenômeno simples, explicável. E qual é a minha opinião? Bem, eu acho que o Jesus Cristo que não é imagem, que não é estátua de gesso, como a da Matriz de Macatuba, o Jesus Cristo da Bíblia, está realmente derramando lágrimas de sangue.
Jesus derrama lágrimas de sangue por causa do assassinato da menina Isabella Nardoni, arremessada pela janela de um apartamento do sexto andar do edifício Residencial London, situado no número 138 da rua Santa Leocádia.
Jesus derrama lágrimas de sangue por saber que Ana Carolina Jatobá, a madrasta, asfixiou-a, e que o pai, Alexandre Nardoni, depois de segurá-la pelos pulsos, do lado de fora da janela, soltou-a lá do sexto andar.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Enizaldo José Plentz, um jovem de dezesseis anos, confessou em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, ter cometido doze assassinatos.
Jesus derrama lágrimas de sangue por saber que esse adolescente matou o comerciante Elucio Ramirez, com vinte tiros de revólver.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Enizaldo afirma: ele quer matar mais três pessoas.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque o austríaco Josef Fritzl, de setenta e três anos, prendeu a sua filha Elizabeth no porão do seu lar, durante vinte e quatro anos.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque esse monstro a estuprou, quando ela estava com onze anos.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Josef confessou ter gerado sete filhos com a própria filha.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque o tarado a drogou e algemou-a, antes de violentá-la.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Josef queimou numa caldeira o corpo de um dos filhos que teve com Elisabeth.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque a empresária Silvia Calabresi, em Goiás, escravizou uma menina de doze anos.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Silvia arrancava as unhas da garota com alicate, e a queimava, e cortava-lhe a língua, amordaçando-a com um pano cheio de pimenta.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque a gaúcha Natália, participante do Big Brother Brasil 8 (aliás, Big Droga), declarou que gosta de apanhar dos homens na cama, que quer se drogar à vontade, que fica sempre bêbada nas festas e que se oferece a todos os rapazes bonitos e musculosos.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque o cientista Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, é autor do livro Deus, um delírio, com mais de um milhão de exemplares vendidos e no qual ele sustenta que o Criador de todas as coisas é injusto, vingativo, racista, pestilento, sanguinário, filicida, genocida, infanticida, megalomaníaco e sadomasoquista.
E eu, amigo leitor, o que posso dizer? Sinto também vontade de chorar, de chorar muito, devido a tudo isto e por causa da minha fé defunta, outrora tão viva, tão confiante no futuro dos seres humanos, e hoje, pobre fé! – assassinada pela contemplação das barbaridades deste mundo imundo.
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Escritor e jornalista Fernando Jorge é autor do livro “Lutero e a Igreja do pecado”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora Novo Século.