| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | |
| 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 |
| 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 |
| 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 |
| 28 | 29 | 30 | 31 |
O BISCOITO TERRORISTA QUE QUIS MATAR O BUSH
Diante do aparelho de televisão, na Casa Branca, o presidente George W. Bush, dos Estados Unidos, assistia a um jogo de futebol americano, quando se engasgou ao mastigar um “pretzel”, biscoito duro em forma de nó aberto, de origem alemã. Bush caiu e desmaiou. Bateu com a bochecha esquerda no chão, o que lhe causou um hematoma no rosto e uma ferida no lábio. Isto aconteceu no dia 13 de janeiro de 2002.
Embora pareça absurdo, eu tive a seguinte impressão, depois de saber desse fato: o “pretzel” odiava o George. Era um biscoito terrorista que queria matá-lo. Meu Deus do Céu, até os biscoitos detestam o presidente dos Estados Unidos!
Fui a uma confeitaria e pedi um “pretzel”. Antes de o enfiar na minha boca, eu perguntei:
-Diga-me, por que um de vocês tentou matar o Bush?
O "pretzel" respondeu, com um leve sorriso irônico:
-Como se atreve a fazer esta pergunta? Ignora que o Bush é um genocida, um frio assassino?
-Mas meu caro "pretzel", os Estados Unidos foram atacados pelos terroristas, no dia 11 de setembro de 2001. Eles lançaram dois aviões contra as torres de World Trade Center...
-E o que o Iraque tinha a ver com esta tragédia, com esta barbaridade?
-Ora, o Iraque estava nas mãos do sanguinário Saddam Hussein, responsável pelo massacre de milhares de separatistas curdos. Saddam chegou a usar armas químicas e bacteriológicas, proibidas por convenções internacionais.
Cheio de sarcasmo e exibindo um ar de desprezo, o biscoito replicou:
-Essas armas eram fornecidas pelos Estados Unidos, segundo um relatório de 1994 do Senado americano. Michael Moore, nascido na pátria de Busch, citou algumas num artigo de sua autoria: o Bacillus Anthracis, gerador do antraz; a Brucella Melitensis, bactéria que danifica vários órgãos do nosso corpo; o Histoplasma Capsulatam, gerador de uma doença que ataca o cérebro, os pulmões, o coração, a espinha dorsal...
Eu ia argumentar, porém o biscoito me impediu:
-Cale-se, Fernando Jorge, cale-se! Se o Saddam Hussein é sanguinário, o Bush também é, pois não havia nenhum motivo para ele mandar invadir o Iraque, causando a morte de milhares de inocentes. Esse homem passou por cima da lei, desrespeitou a ONU. Agiu como um Hitler. Colunista do “New York Times”, o bem informado Paul Krugman escreveu que o Bush levou os Estados Unidos à guerra com o objetivo de "eliminar armas que não existiam e punir Saddam por ligações imaginárias com a Al-Quaeda".
Pretendi dizer qualquer coisa, mas o biscoito não me deixou falar:
-Repito, cale-se! E não se esqueça: Paul Wolfowitz, sub-secretário de Defesa dos Estados Unidos, admitiu em Londres, no dia 4 de junho de 2003, que o petróleo foi a principal razão para a Grã-Bretanha e os Estados Unidos desencadearem a guerra contra o Iraque. Jornais ingleses como o “Guardian”, e alemães como o "Die Welt” e o "Der Tagesspiegel”, divulgaram essa confissão de Wolfowitz.
O "pretzel" concluiu:
-Você compreendeu, agora, por que aquele biscoito da minha raça quis matar o Bush?
Enraivecido, incapaz de destruir a argumentação do “pretzel”, os fatos apresentados por ele, eu o mastiguei e o engoli. Ai, como sou mau!
www.fernandojorge.com

criado por Fernando Jorge
08:55:02Rozendo: símbolo eloqüente do jornalista que não se acovarda
Vindo do Rio de Janeiro, onde prestava serviço militar, o jornalista sergipano Rozendo de Souza Brito visitou Araraquara, na década de 1890. Nesta rica cidade do interior de São Paulo, elevada à categoria de município no ano de 1832, ele tomou conhecimento das atrocidades cometidas contra imigrantes alemães e italianos, que como escravos eram surrados pelos feitores das fazendas. Impressionado com essa barbaridade, Rozendo decidiu instalar-se em Araraquara e denunciá-la nos jornais O Binóculo e O Raio.
Os seus artigos, despojados de eufemismos, passaram a ser muito lidos. Ele condenava os abusos, os atos de corrupção e as arbitrariedades dos coronéis. Logo alguns desses artigos foram publicados nos jornais do Rio de Janeiro.Também apareceram na imprensa da capital paulista, obtendo até repercussão internacional.
As torturas infligidas aos imigrantes italianos, descritas por Rozendo, fizeram o governo da pátria de Garibaldi enviar um protesto a Campos Sales, presidente de São Paulo. Este queria chegar à presidência da República e era amigo dos coronéis de Araraquara. Tudo indica: talvez os aconselhou a usar a diplomacia, para silenciar o jornalista.
Primeiro os coronéis tentaram converter Rozendo num aliado, propondo-lhe a concessão de benefícios, de regalias, em troca do encerramento das denúncias. Mas o sergipano repeliu todas essas ofertas. Cada uma lhe inspirava novo artigo.
Enraivecidos, os coronéis o acusaram de ser um imoral, um oportunista, um bêbado que todos os dias ia à farmácia para comprar remédios contra-a embriaguês. Até inventaram que existia, neste sentido, o testemunho de um farmacêutico.
No fim de janeiro de 1897, o jornalista se encontrou numa farmácia, sem querer, com o seu principal desafeto, o poderoso coronel Carvalho, chefe da política araraquarense. Munido de bengala em cuja ponta havia uma lâmina, o fazendeiro agrediu Rozendo. Ambos se atracaram, mas um tiro, disparado não se sabe até hoje por quem, matou Carvalho.
Levado para a delegacia, Rozendo ficou preso com o seu tio Manuel de Souza Brito, detido sob a acusação de ser seu cúmplice no assassinato do coronel.
Os fazendeiros de Araraquara decretaram a morte dos dois. Um boato correu, forjado por eles: a população da cidade, revoltada, pretendia linchar o jornalista e o seu tio.
Na madrugada do dia 6 de janeiro de 1897, aos gritos de “mata-morra”, homens encapuzados invadiram a Cadeia Pública de Araraquara. Cheios de desespero, tentando escapar dos tiros, Rozendo e Manuel se esconderam no fundo da cela, porém logo caíram, debaixo da saraivada de balas.
Depois os capangas dos fazendeiros arrastaram os cadáveres até a Praça da Matriz e ali os mutilaram, com o objetivo de dar a impressão de ter sido um linchamento.
Entretando, desde a véspera do crime, os assassinos avisaram ao povo para não sair de casa, na noite seguinte, e nem se aproximar das janelas. Após dos os dois homicídios, ousaram proibir, além de qualquer comentário, a leitura dos artigos de Rozendo.
Sob a pressão dos fazendeiros, o julgamento ocorreu na cidadezinha de Américo Brasiliense. Ninguém foi punido. Chegaram à conclusão de que Rozendo e o seu tio premeditaram o assassinato do coronel Carvalho. Portanto, tornou-se impossível impedir o “linchamento”, a “revolta popular”.
Cem anos após o crime, o jornalista José Carlos Magdalena o evocou no seu excelente livro Um século de silêncio, lançado em 1997 pela Editora Senac. A obra é o fruto de vinte e nove anos de pesquisa.
Rozendo de Souza Brito: símbolo eloqüente do jornalismo que não silência, que não se acovarda e que não se verga diante das violências injustificáveis.
_______
Escritor e jornalista, Fernando Jorge é autor do livro “Vida e poesia de Olavo Bilac”, cuja 5ª edição foi lançada pela Editora Novo Século.

criado por Fernando Jorge
09:09:45Comer assim é mostrar amor à porcaria
O jornal O Globo, a propósito do Circuito Rio Show de Gastronomia, apresentou numa de suas últimas edições a reportagem de Ediane Merola e Rafael Teixeira sobre esse evento, intitulada “Comer com garfo e faca é coisa do passado”. A aula da jovem Zazá Piereck, do Zazá Bistrô do Rio de Janeiro, a respeito do finger food, informam os dois jornalistas, fez o “público lamber os dedos”.
Depois de ler isto, eu pensei: meu Pai do Céu, freqüentes vezes a humanidade deseja retrogredir, voltar à época dos trogloditas, dos dinossauros! E se o homem foi um macaco, segundo os evolucionistas, vários dos nossos semelhantes estão querendo guinchar, andar de quatro, pular de árvore em árvore, executar toda espécie de macaquices...
Quem quiser pode me chamar de quadradão, de retrógrado, de careta, mas eu afirmo, dispensar o garfo e faca para só comer com as mãos, e em seguida lamber os dedos, chupá-los, é ser porco como o mais porco dos suínos. Basta salientar: as mãos, as unhas dos nossos dedos, vivem repletas de micróbios.
Há pouco tempo certo amigo me obrigou a entrar num lugar onde as pessoas devoram hambúrgueres. Eu vi lá uma bela mocinha, que após engolir um desses bifes arredondados, de carne moída, começou a passar a sua língua, sem interrupção, em todos os seus dedos cobertos de gordura reluzente. Cada pingo dessa gordura me parecia a gota enorme do suor de fedorento e corpulento gambá.
Senti um asco indescritível. A beleza da mocinha sumiu e ela me deu a impressão de ter se transformado numa bruxa horrenda.
Não devemos aceitar, já na primeira década do século XXI, a imundície como inquestionável sinal de progresso, de modernidade. E convém aqui reproduzir estes versos do fabulista italiano Trilussa:
“Jantava um dia calmamente, quando
uma mosca me pousa sobre o prato.
Espantei-a, mas ela, revoando,
cinco vezes, ou seis, repete o fato.
-Se te apanho, ai de ti, mosca asquerosa!
Se fosses borboleta, vá, paciência...
porque esta, ao menos, pousa sobre a rosa
e tu pousas... Nem digo, é uma indecência!
E a mosca, então, me disse o que convinha:
-Tens razão, eu sou mesmo impertinente,
mas a culpa é mais tua do que minha,
pois não me educas convenientemente.
Quando pouso naquilo que te agrada,
tu me espantas com súbita energia,
mas por que me deixas sossegada,
sempre que pouso sobre a porcaria?”
Esta fábula de Trilussa nos ensina a reagir diante de certas imundícies moderníssimas, como o atual costume, em algumas rodas, de não movimentar nas refeições o garfo, a faca e o guardanapo, substituindo-os pelo uso das mãos e pelo lambimento dos dedos. Ai, que nojo!
Garanto, a falta de higiene é prova eloqüente de atraso. Declarou Justus Von Liebig (1803-1873), um dos maiores químicos alemães, que foi presidente da Academia de Ciências de Berlim:
“Pelo consumo de sabão se pode avaliar o progresso dos povos”.
Até o século XVII era hábito comer sem garfo e faca, apenas com as mãos. D. João VI, procedendo assim, tanto em Portugal como no Brasil, sempre as exibia engorduradas, devido ao seu insaciável apetite por franguinhos.
Quem come com a mão e chupa os seus dedos, no decorrer de um lanche, de um almoço ou de um jantar, além de mostrar amor à porcaria, corre o risco de perder a saúde, de contrair uma doença grave, pois como acentuou o professor Paul Lecéne, da Faculdade de Medicina de Paris, na sua obra L’evolution de la chirurgie, é impossível efetuar a desinfecção completa dessa delicada parte do nosso organismo.
______
Escritor e jornalista, Fenando Jorge é autor do livro “Lutero e a Igreja do pecado”, cuja 7ª edição foi lançado pela Editora Novo Século.

criado por Fernando Jorge
10:52:08 Estou impressionado com a infindável quantidade de erros de português paridos, ao longo de 2007, nas páginas dos jornais e das revistas da nossa chamada "grande imprensa". Por favor, não me venham dizer que isto é "linguagem moderna”. Não, não é. Trata-se mesmo de uma avalanche de erros chocantes. Como assegura o velho provérbio, “defender um erro é errar outra vez". Imploro, não me apresentem esta história de que quem corrige tais erros é "elitista”. Argumento fragilíssimo, pernibambo. Esclareço, a palavra pernibambo, adjetivo e brasileirismo, aplica-se às pessoas malseguras nos calcanhares, donas de pernas trêmulas, vacilantes, bambas.
Vejamos alguns dos numerosos erros de português da nossa grande imprensa, descobertos por mim de maneira fácil, naturalmente, no decorrer do ano de 2007. Eles vão espantar o meu amigo José do Patrocínio Oliveira, admirável conhecedor do nosso idioma e diretor da Casa da Palavra no Recife.
Erro na manchete da edição do dia 24 de janeiro de O Globo:
"Deputado na oposição esfareIa"
Correção: “... na oposição se esfareIa”. O verbo aí é pronominal, pois o deputado Luciano Castro, líder do PR na Câmara, explicou numa entrevista que o parlamentar que fica na oposição largo tempo, “não resiste e, como um castelo de areia, esfarela, perdendo prefeitos e vereadores”. Portanto o deputado se esfareIa e não esfareIa alguém. Aliás, o uso do verbo esfarelar (transitivo direto) é impróprio neste caso. Esfarelar significa converter algo em farelo, em resíduos grosseiros de cereais moídos ou de serradura de madeira. Correto, na frase do deputado, seria o emprego do verbo desmoronar.
Erro num texto da primeira página da edição do dia 26 de janeiro da Folha de S. Paulo:
“Geleira na Antártida, que está derretendo com aquecimento global."
Correção: a geleira está se derretendo e não derretendo outra coisa.
Erro no título de uma notícia, na edição do dia 31 de janeiro da revista Veja:
“Acorda, Scaringella!”
Correção: se a jornalista Marcella Centofanti está mandando o presidente da CET despertar, o certo é assim:
"Acorde, Scaringella!”
Erro na manchete da edição de 28 de fevereiro da Folha de S. Paulo:
"Vôos atrasam em 1º dia de obras em pista Congonhas”.
Correção: os vôos se atrasam. E por que repetir a preposição em? O segundo em pode ser substituído por na: “na pista de Congonhas”.
Erro divulgado em vários jornais no mês de março, numa propaganda de um cartão da OAB:
"Não sai de casa sem ele”
Correção: "não saia...” Eu pergunto: agora a Ordem dos Advogados do Brasil apóia os mais comezinhos erros de português?
Erro na manchete da edição do dia 20 de março do O Globo:
“Obra de Niemeyer atrasa 1 dia por falta de cano”.
Correção: a obra não atrasa um dia. Ela se atrasa.
Erro no título do artigo de Roberto Hugo da Costa Lins, publicado na edição do dia 31 de março do mesmo jornal:
“Assassinato cruel”
Correção: qual é o assassinato que não é cruel? Existe o assassinato bondoso?
Erro numa frase da edição do dia 1º de abril da revista Veja:
“São tão grandes (os icebergs) que alguns levam mais de dez anos para derreter completamente”.
Correção: “para se derreterem...” Hoje, centenas de jornalistas ignoram que o verbo derreter é também pronominal. Não sabem empregá-lo. Exemplos? Vou mostrar mais dois, no nosso outro bate-papo.

criado por Fernando Jorge
14:05:03