Artigos de Fernando Jorge

Artigos do escritor Fernando Jorge. Fernando Jorge é escritor, membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e autor de, entre outras obras, de “O Aleijadinho”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora

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Artigos do escritor Fernando Jorge. Fernando Jorge é escritor, membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e autor de, entre outras obras, de “O Aleijadinho”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora
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Arquivo de: Dezembro 2007

17.12.07

FHC: não cometa erros de português

FHC: não cometa erros de português ao criticar a falta de cultura do Lula


Escarnecendo da escolaridade de Lula, o senhor Fernando Henrique Cardoso declarou no 3º Congresso do PSDB, realizado em Brasília:
"Nós queremos brasileiros melhor educados, e não brasileiros liderados por gente que despreza a educação, a começar pela própria”.
Os tucanos aplaudiram com frenesi a frase de efeito, lançada para ser aplaudida.
Vamos corrigir o grave erro de português do FHC. Antes do particípio - forma infinita do verbo - o correto é usar mais bem e não melhor. Portanto ele deveria ter dito:
"Quero brasileiros mais bem educados”...
FHC criticou a falta de cultura do Lula, mas nos deu a prova de ser um sociólogo inculto. O ex-professor da USP não sabe que é impróprio, antes dos particípios, recorrer às formas sintéticas do comparativo de superioridade dos advérbios bem e mal (melhor e pior). Ele se expressaria de maneira correta se empregasse as formas analíticas mais bem e mais mal. Dai inferimos: FHC confunde o comparativo do advérbio bem (mais bem), com o comparativo do adjetivo bom (melhor). Não consegue distingui-los.
Como salienta o professor Francisco Silveira Bueno no livro Questões de português, o fato de alguns escritores terem usado as expressões melhor feito e melhor vestido, isto não invalida a regra, pois tais escritores erraram. Este mestre nos apresenta dois exemplos do emprego adequado de mais bem e melhor, extraídos de um texto do padre Antônio Vieira:
O mais bem nascido homem que houve, nem pode haver, foi Cristo, ninguém teve melhor pai nem melhor mãe...”
Vejamos algumas das numerosas provas de falta de cultura do Fernando Henrique Cardoso.
Erro de português do FHC, em 1995:
“Se tivermos errados, nós mudaremos" (OESP. 18-3-1995).
Correção: "Se estivermos errados...” FHC trocou o verbo estar pelo verbo ter.
Erro de português do FHC, em 1997:
“Estado e União são capazes de atender aos reclames da população” (OESP, 25-1-1997).
Correção: “..aos reclamos...” Reclame é anúncio, propaganda. O certo é reclamo, sinônimo de reclamação.
Erro de português do FHC, em 1999:
“... o Brasil cansou de desmandos" (O Globo, 1-5-1999).
Correção: "...o Brasil se cansou de desmandos" , pois aí o verbo e pronominal.
Erro de português de FHC, em 2000:
Navega, Brasil” (O Dia, 7-11-2000).
Correção: “Navegue, Brasil,” pois ele está dando um conselho, sem empregar o tratamento tu.
Erro de português do FHC, em 2001:
"Quando, em 1994, discutia-se... Ele veio para dizer-me”... (O Globo, 1-4-2001).
Correção: tanto como advérbio ou conjunção, a palavra quando atrai os pronomes pessoais atônicos (quando... se discutia), e a preposição para atrai os mesmos pronomes (para me dizer).
Guardo no meu arquivo as dezenas de erros de português do FHC. Incrível, clubes e entidades lhe pagam em média cem mil reais, a fim de ouvir as suas palestras cheias desses erros. Não sou do PT e nunca votei no Lula, mas agora eu indago se o parlapatão Fernando Henrique Cardoso tem autoridade para criticar a falta de cultura do Lula. Abra a Bíblia, senhor FHC, e leia em voz alta os versículos 41 e 42 do capítulo sexto do Evangelho de São Lucas:
Por que vês tu o argueiro no olho do teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Como poderás dizer a teu irmão: Deixa, irmão, que eu tire o argueiro do teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão”.
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Escritor e jornalista, Fenando Jorge é autor do livro “Lutero e a Igreja do pecado”, cuja 7ª edição foi lançado pela Editora Novo Século.