Artigos de Fernando Jorge

Artigos do escritor Fernando Jorge. Fernando Jorge é escritor, membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e autor de, entre outras obras, de “O Aleijadinho”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora

Artigos de Fernando Jorge

Artigos do escritor Fernando Jorge. Fernando Jorge é escritor, membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo e autor de, entre outras obras, de “O Aleijadinho”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora
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15.06.08

Biografias e a realidade...

OS GRAVÍSSIMOS ERROS DE PORTUGUÊS DO PAULO COELHO

Um livro de Paulo Coelho, intitulado “O demônio e a srta. Prym”, está repleto de cacofonias, redundâncias, disparates, lugares-comuns, afirmativas absurdas, deficiências lingüísticas, frases mal construídas e erros de regência verbal e colocação pronominal. Além disso o escritor carioca não sabe inserir as vírgulas nos seus devidos lugares. Não sabe virgular. Também ignora que não se separa por vírgula o verbo do sujeito.
Mais do que o enredo anêmico, fragilíssimo, o que impressiona no livro é a enorme quantidade de solecismos, de erros de português. Examinemos alguns desses erros, apenas uma pequena parte. Já na página 35 encontrei este:
“...começou a rezar para sua avó, morta há algum tempo atrás...”
Eis aí uma expressão redundante. A idéia de passado está bem presente no verbo haver, não sendo necessário, portanto, o uso do advérbio atrás. Paulo Coelho repete o erro em outras páginas do livro:
“Há muitos anos atrás...” (página 36) – “Há três anos atrás...” (página 49) – “Há quatro dias atrás...” (página 58) – “...há milênios atrás” (página 60) – "Há três dias atrás..." (página 67).
Paulo não sabe usar a combinação da preposição em com o pronome demonstrativo aquele, na sua forma feminina, como se vê na página 37 de “O demônio e a srta. Prym”:
“De modo que resolveu matá-lo aquela mesma noite...”
A noite decidiu matar alguém, era uma criminosa? Se pudesse ser claro, correto, Paulo teria escrito assim:
“De modo que resolveu matá-lo naquela mesma noite...”
Monumental erro de concordância resplandece na página 121:
“Nada de apostas: aquele povo não merecia a fortuna que quase tiveram ao alcance das mãos.”
O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa. É a regra geral, acima violada. Convido o amigo leitor para corrigir, junto de mim, a frase do Paulo Coelho:
“Nada de apostas: aquele povo não merecia a fortuna que quase teve ao alcance das mãos."
Paulo Coelho não conhece as regras básicas de colocação pronominal, é incapaz de meter o pronome se no seu devido lugar:
".. .desconhecendo que na maior parte das vezes comportam-se. . ." (página 23).
Eu e você, amigo leitor, vamos agora corrigir o autor de “O alquimista”:
“...desconhecendo que na maior parte das vezes se comportam...”.
Mas Coelho e teimoso, insistente e reincidente. Para ele o que não atrai pronome se:
“... o que mais temia transformou-se em realidade” (página 98) – "...há um momento em que um homem importante aproxima-se de Jesus" (página 138) – "E que, durante todos estes anos, tornou-se...” (página 160) – “... de modo que ninguém ali descobrisse que, em sua curta viagem até a cidade, transformara-se numa mulher rica”. (página 211).
Observem o cacófato da última frase: “numa mulher”. Aliás, na página 40 há este cacófato medonho: “uma maneira macabra”... É mamar demais, sem ter muito leite!

Aconselho a editora do Paulo Coelho a contratar um professor do nosso idioma para corrigir os gravíssimos erros de português desse escritor. Tais erros ensinam os seus leitores a falar errado, fazem a propaganda da ignorância.
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Fernando Jorge é escritor e jornalista, autor de "O Grande Líder", romance satírico em 5ª edição, lançado pela Geração Editorial.

28.05.08

Entrevista para JBA por Erick Vizoki

ENTREVISTA – Maio/2008

Fernando Jorge


Lutero: o polêmico retrato do reformador alemão


Biografia do fundador do Protestantismo, de autoria de Fernando Jorge, tem sua sétima edição esgotada em apenas quatro meses

Erick Vizoki
O jornalista e escritor Fernando Jorge, 78 anos completados no último 1º de maio, é um colecionador de êxitos. Autor de diversos livros, vários deles premiados, Fernando Jorge mostra predileção assídua por biografias, sempre rigorosamente detalhadas, recheadas de documentações e relatos fiéis. O escritor é um pesquisador compulsivo o obcecado pela transparência dos fatos que cercam a vida de seus biografados, sendo suas obras não raro consideradas definitivas. Entre elas, “O Aleijadinho – Sua Vida, Sua Obra, Sua Época, Seu Gênio”, “Vida e Poesia de Olavo Bilac”, “Santos Dumont – As Lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont”, este último aclamado internacionalmente e que inspirou uma produção em Hollywood sobre a vida do Pai da Aviação. Recentemente, publicou a primeira edição de “Geisel – O Presidente da Abertura”, biografia do penúltimo presidente brasileiro do regime militar instalado no País, após um golpe de Estado em 1964, e que foi determinante para a redemocratização do Brasil.
Um de seus livros mais polêmicos, “Lutero e a Igreja do Pecado” chegou à 7ª edição em outubro de 2007, esgotando-se rapidamente. Nesta biografia abrangente, ricamente detalhada e documentada, Fernando Jorge aborda aspectos até então desconhecidos de Martinho Lutero, ex-monge agostiniano, que voltou-se contra as práticas da Igreja Católica da Idade Média e fundou o Protestantismo. Em entrevista, o jornalista nos conta como foi o árduo trabalho de pesquisa, que durou sete anos, suas teorias sobre o reformador alemão, sua visão sobre a importância histórica do ex-monge e sua relação com o personagem que revolucionou a religião ocidental.


A 7ª edição de “Lutero e a Igreja do Pecado”, impressa em outubro de 2007, esgotou-se rapidamente e já foi reimpressa em março deste ano. O senhor atribui este sucesso à própria importância do reformador alemão na História, ou ao enfoque, nesta biografia, sobre sua personalidade atormentada?
Fernando Jorge
- Atribuo este sucesso à própria importância histórica e religiosa de Lutero, e ao enfoque com o qual ele foi avaliado por mim, que é bastante original, modéstia à parte.

A pesquisa minuciosa e o rigor de informações são características proeminentes em sua obra como biógrafo e pesquisador. A certa altura, em seu livro sobre Lutero, o senhor ressalta que alguns detalhes apresentados na obra foram omitidos por outros biógrafos e historiadores, mas o senhor, ao primar pela isenção jornalística, fez questão de ressaltar. Martinho Lutero, em sua opinião, foi um homem polêmico, cuja biografia pode ser um vespeiro nas mãos de um jornalista?
Lutero foi obrigado a tornar-se polêmico, devido ao simples fato de ter se insurgido contra a Igreja Católica. O sectarismo fez vários detalhes de sua existência serem omitidos pelos seus biógrafos. Detalhes de grande valor, do ponto de vista psicológico, histórico e religioso. A vida de Lutero, na minha opinião, sempre será um vespeiro nas mãos daqueles que a evocam.

Além da vida de Lutero, o senhor nos apresenta um panorama fiel da Igreja Católica do século XVI. A tese central de seu livro associa a fundação do Protestantismo ao ódio que o ex-monge agostiniano nutria pelo demônio e a relação deste, segundo ele, com a Igreja daquela época. Que tipos de comentários o senhor ouviu, ou recebeu, tanto por parte de católicos como de protestantes e evangélicos?
Da parte dos católicos - e eu sou um escritor católico - ouvi comentários deste tipo: o senhor não devia ter descrito, com tantas minúcias, os erros da nossa Igreja naquela época, pois tais erros precisam ser esquecidos. Urubu é que gosta de carniça. Eu respondi: mas até hoje a Igreja Católica, por intermédio de um papa, não admitia o seu voraz mercantilismo, imperante no tempo de Leão X. Ela não mostrou arrependimento, pelo motivo de ter autorizado a venda das indulgências de maneira indiscriminada, ou melhor, de maneira imoral. E quanto aos protestantes e evangélicos, quase sempre elogiaram o “Lutero e a Igreja do pecado”, porém para muitos o livro constituiu uma enorme surpresa, por causa da obsessão, que descrevo, do reformador pelo diabo.

Entregar-se à tarefa de realizar uma biografia tão profundamente detalhada requer um grande compromisso com a acuidade jornalística e com a transparência nos fatos que envolvem a vida do biografado. Sabemos que não é tarefa fácil, mas como foi o caso de Martinho Lutero, em particular, que o senhor nos mostra ser uma figura tão complexa e contraditória em diversos momentos?
Pesquisei durante sete anos, com o firme objetivo de narrar a vida de Lutero, porque descobri que os seus biógrafos relegaram a último plano a obsessão dele pelo Capeta. Era uma obsessão tremenda, avassaladora. Logo concluí: está explicada a fúria de Lutero contra a Igreja Católica, à qual ele pertencia como monge agostiniano. Martinho passou a ver nela a Igreja de Satanás!

Em outra biografia de sua autoria, “As Lutas, a Glória e o Martírio de Santos Dumont”, o senhor afirmou, em alguns momentos do livro, ter se envolvido bastante com o biografado, como um ator se envolve com seu personagem. Foi assim também com Lutero?
Sim, envolvi-me muito com Lutero, e a tal ponto que sentia a sua presença física. Quando escrevo, sinto-me mediunizado. Aliás, o Chico Xavier se referiu à minha mediunidade, no seu livro “Parnaso de além túmulo”. Eu acredito, todos nós, seres humanos, somos espíritos materializados. Milhares e milhares de espíritos materializados, quantidade que para Deus deve ser urna coisa mínima, um montinho de areia.

O senhor anunciou, no ano passado, que Hollywood pretende filmar a vida de Santos Dumont com base em seu livro, e que o contrato já foi até assinado. O senhor acha que o filme “Lutero” (Luther), de 2003, roteirizado por Bart Gavigan e Camille Thomasson, foi tão fiel à vida do reformador quanto o filme norte-americano sobre Santos Dumont deverá ser?
O filme alemão sobre Lutero é omisso, pesado, obscuro, cansativo, lacunoso, mal feito. Espero que o filme baseado na 5ª edição da minha biografia de Santos Dumont, produzido em Hollywood, e cujo lançamento talvez ocorra em 2009, não apresente estes numerosos defeitos.

13.05.08

Jesus está derramando lágrimas de sangue

Lágrimas de sangue escorrem pelo rosto e pelas vestes de estátua de Jesus Cristo, na Igreja Matriz do município de Macatuba, localizado a 320 quilômetros da capital de São Paulo. O padre José Raimundo de Carvalho, após ver a estátua, chamou o farmacêutico José Henrique Soares, de trinta e sete anos, para analisar o líquido, e feito o exame, com a ajuda de um pouco de água oxigenada, o farmacêutico logo concluiu:
-É sangue mesmo!
As opiniões dos moradores de Macatuba são variadas. Alguns acreditam que se trata de um milagre, outros, de apenas uma fraude, e ainda outros, de um fenômeno simples, explicável. E qual é a minha opinião? Bem, eu acho que o Jesus Cristo que não é imagem, que não é estátua de gesso, como a da Matriz de Macatuba, o Jesus Cristo da Bíblia, está realmente derramando lágrimas de sangue.
Jesus derrama lágrimas de sangue por causa do assassinato da menina Isabella Nardoni, arremessada pela janela de um apartamento do sexto andar do edifício Residencial London, situado no número 138 da rua Santa Leocádia.
Jesus derrama lágrimas de sangue por saber que Ana Carolina Jatobá, a madrasta, asfixiou-a, e que o pai, Alexandre Nardoni, depois de segurá-la pelos pulsos, do lado de fora da janela, soltou-a lá do sexto andar.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Enizaldo José Plentz, um jovem de dezesseis anos, confessou em Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre, ter cometido doze assassinatos.
Jesus derrama lágrimas de sangue por saber que esse adolescente matou o comerciante Elucio Ramirez, com vinte tiros de revólver.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Enizaldo afirma: ele quer matar mais três pessoas.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque o austríaco Josef Fritzl, de setenta e três anos, prendeu a sua filha Elizabeth no porão do seu lar, durante vinte e quatro anos.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque esse monstro a estuprou, quando ela estava com onze anos.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Josef confessou ter gerado sete filhos com a própria filha.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque o tarado a drogou e algemou-a, antes de violentá-la.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Josef queimou numa caldeira o corpo de um dos filhos que teve com Elisabeth.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque a empresária Silvia Calabresi, em Goiás, escravizou uma menina de doze anos.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque Silvia arrancava as unhas da garota com alicate, e a queimava, e cortava-lhe a língua, amordaçando-a com um pano cheio de pimenta.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque a gaúcha Natália, participante do Big Brother Brasil 8 (aliás, Big Droga), declarou que gosta de apanhar dos homens na cama, que quer se drogar à vontade, que fica sempre bêbada nas festas e que se oferece a todos os rapazes bonitos e musculosos.
Jesus derrama lágrimas de sangue porque o cientista Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, é autor do livro Deus, um delírio, com mais de um milhão de exemplares vendidos e no qual ele sustenta que o Criador de todas as coisas é injusto, vingativo, racista, pestilento, sanguinário, filicida, genocida, infanticida, megalomaníaco e sadomasoquista.
E eu, amigo leitor, o que posso dizer? Sinto também vontade de chorar, de chorar muito, devido a tudo isto e por causa da minha fé defunta, outrora tão viva, tão confiante no futuro dos seres humanos, e hoje, pobre fé! – assassinada pela contemplação das barbaridades deste mundo imundo.
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Escritor e jornalista Fernando Jorge é autor do livro “Lutero e a Igreja do pecado”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora Novo Século.

28.04.08

Perdeu muito dinheiro

Perdeu muito dinheiro, por causa do excesso de formalidade


     Sou um homem simples, inimigo de formalidades, apesar de não ignorar que estas às vezes são necessárias. Pelo fato de ser assim, sem nenhuma apresentação fui à presença de um editor e propus-lhe o lançamento de uma obra de minha autoria, com a venda antecipada de 700 exemplares, por parte de um poderoso empresário. Esse editor, algo surpreso, mostrou-se interessado e eu lhe disse:
     -O meu livro é sobre vários políticos brasileiros famosos. Tem documentação nova, indestrutível, perturbadora, mas poderei suprimir um ou outro capítulo, se o senhor achar que isto é necessário.
     Ele concordou e me pediu, para ler o livro, trinta dias de prazo. Depois se comunicaria comigo. Mas enquanto o referido editor examinava a obra, ouvi de um íntimo amigo meu, redator de prestigiosa revista semanal, as seguintes palavras:
     -Fernando, uma rica empresa paulista quer patrocinar a impressão de 10 mil exemplares de um livro sobre Roberto Simonsen, o idealizador do Senai e do Sesi, fundador em São Paulo da Faculdade de Engenharia Industrial e da Escola Livre de Sociologia e Política.
     Eu acrescentei:
   -Além disso, meu caro, ele foi um dos criadores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e deputado pelo Partido Constitucionalista à Assembléia Nacional Constituinte, no período de 1934 a 1935. Tornou-se pregoeiro incansável da industrialização do Brasil, da proteção governamental às indústrias.
    Recebi os cumprimentos do meu amigo, pelo motivo de me achar bem informado. Ele solicitou:
   -Indique-me um bom editor para lançar o livro sobre Roberto Simonsen. Já disponho de vinte intelectuais, que escreverão os capítulos. Você será um deles.
    Citei o nome do editor a quem havia entregue os originais do meu livro sobre os políticos brasileiros. O meu amigo assentiu:
    -Você o procure, de maneira rápida. Ele receberá 25 por cento do custo total, como adiantamento.
    Por coincidência, a jovem secretária do editor me informara que ele queria falar com a minha pessoa. Compareci na sede da sua editora e declarei à moça:
    -Senhorita, não tive o cuidado de avisá-lo, mas se ele puder me receber, eu espero. Se não for possível, depois telefono, a fim de marcar o encontro.
     Ela saiu da sala e fiquei aguardando. Logo o editor apareceu na minha frente e esbravejou, ao lado de um fulano meio tonto:
    -Não posso atender o senhor! Estou ocupado!
    Respondi, sereno: 
   -Fique tranqüilo. Vou embora. Apenas vim lhe oferecer um negócio bem rendoso, cujo intermediário é redator de uma grande revista semanal.
    Frenético, o editor gritou, abrindo a porta de saída:
   -Estou muito ocupado! Marque uma hora!
Sem me abalar, respondi:
   -Também estou muito ocupado. Creio que não poderei marcar a hora.
    Calmo, transpus a porta, fui à procura de outro editor e lhe ofereci o negócio bem rendoso, imediatamente aceito.
    A minha falta de formalidade enfureceu o editor formalista. Viu em mim um atrevido, um selvagem violador de etiquetas. O seu excessivo apego a certas convenções o fez perder uma enorme quantia.
       Tycho-Brahé (1546-1601), célebre astrônomo suéco, viveu em Praga, na Tchecoslováquia, protegido pelo imperador Rodolfo lI. Certo dia, viajando numa carruagem ao lado desse soberano, ele sentiu urgente necessidade de urinar, mas não ousou revelar o seu desejo. Reteve a urina durante horas, e por causa disso morreu. Alguém fez para o pobre astrônomo este epitáfio:

“Aqui jaz quem,
possuindo a mais alta ciência,
foi vítima da decência,
e cujo verdadeiro
retrato se faz
numa só frase:
viveu como um sábio
e morreu como um tolo”

    Resumindo: Tycho-Brahé perdeu a vida devido ao seu excesso de formalidade, e o editor aqui evocado, por causa desse mesmo excesso, perdeu muito dinheiro...
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Escritor e jornalista Fernando Jorge é autor do livro “Lutero e a Igreja do pecado”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora Novo Século.

17.04.08

O Budismo é belo

     Siddharta Gautama, o Buda, nasceu no ano 556 antes de Cristo, numa região da Índia onde agora é o Nepal. Pertencente a linhagem nobre, filho de um rei e de uma rainha, vivia entregue à gula, ao luxo, aos gozos materiais, mas renunciou a esses prazeres e virou um mendigo, indo com trajes sumários para lugares remotos. Ele tinha, nessa época, menos de trinta anos. Queria encontrar a verdade, a qual, como disse o gramático e crítico latino Aulo Gélio, do século II, é “a filha do tempo”. Veritas filia temporis.
     Mergulhado em profundos pensamentos, Siddharta Gautama decidiu ficar de pernas cruzadas sob a copa de frondosa árvore, até receber a iluminação das criaturas sábias. Certa vez, enquanto permanecia assim, uma luz começou a refulgir no meio da sua testa. Sentindo-se ameaçado, Mara, o deus do mal, fez Siddharta ser atingido por visões perturbadoras, satânicas. Contudo, o peregrino não perdeu a calma e logo, devido a um alto grau de concentração, logrou alcançar o Nirvana, esse supremo estado de paz, de plenitude, de pureza, de sabedoria, de ausência completa do sofrimento.
     Após chegar a tão elevado nível de conquista espiritual, ele viu a terra tremer e uma chuva cariciosa, refrescante, cair do céu sem nuvens, limpidamente azul. Liberto de toda dor, ergueu-se do chão e se transformou no Buda, isto é, no “Iluminado”.
     A filosofia do Budismo se compõe de quatro verdades:
1. O sofrimento é universal.
2. O sofrimento é causado pelos desejos materiais.
3. Eliminar os desejos materiais é descartar o sofrimento.
4. Um caminho reto deve ser seguido, a fim de renascermos.
     Eis os oito passos do caminho reto do renascimento, proposto por Buda:
1. Crença correta.
2. Sentimentos corretos.
3. Palavras corretas.
4. Procedimento correto.
5. Maneira de viver correta.
6. Esforço correto.
7. Memória correta.
8. Concentração e meditação corretas.
     Se o crente seguir este caminho, ele se tornará um arhat, uma criatura que alcançou o Nirvana. 
    Veja, amigo leitor, quanta sabedoria existe no Budismo, esta admirável religião filosófica:
   “O ódio não destrói o ódio, só o amor destrói o ódio. Sê como o sândalo, que perfuma o machado que o fere”.
     “A paz vem de dentro de você mesmo. Não à procure à sua volta”.
    “Um bom amigo, que nos aponta os erros e as imperfeições, e condena o mal, deve ser ouvido como se estivesse revelando o segredo de um oculto tesouro”.
     “É mais fácil ver os erros dos outros que os próprios. É muito difícil enxergar os próprios defeitos, pois espalhamos os defeitos alheios, como se fossem palhas ao vento, mas escondemos os nossos, como jogadores trapaceiros”.
     “Uma consciência culpada é um inimigo vivo”.
     “O dinheiro é o ladrão do homem”.
    “Em nossas vidas há momentos de alegria e de sofrimento. Se conseguirmos aceitar que sempre vamos ter bons e maus momentos, poderemos gradualmente não esperar somente os bons momentos e nem detestar os maus”.
     Acredite, amigo leitor, o Budismo é belo como muitas coisas simples. Belo como o sorriso de uma criancinha feliz, tão belo como a humilde gota de orvalho pousada na pétala de uma flor silvestre, na hora em que os pássaros cantam, saudando o nascer do dia.

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Escritor e Jornalista Fernando Jorge é autor do livro “Lutero e a Igreja do pecado”, cuja 7ª edição foi lançada pela Editora Novo Século.